Daisy Silva
Três mulheres na faixa dos 40 anos entram em um elevador e, durante 17 minutos, ficam presas sem sinal de celular ou ventilação. O confinamento faz com que angústias, memórias, mudanças no corpo, relações familiares e desejo venham à tona. É desse encontro que parte “Mulheres em Chamas”, comédia estrelada por Miá Mello, Camila Raffanti e Juliana Araripe, que chega a Belo Horizonte para três apresentações, de 30 de outubro a 1º de novembro.
Com direção de Paula Cohen e criação das três atrizes, o espetáculo leva a menopausa para o palco a partir do humor e de experiências que atravessam essa fase da vida. As apresentações serão realizadas no Teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas.
Inspirada em histórias reais, a montagem combina situações cotidianas e elementos surreais para falar sobre as transformações hormonais e seus impactos. Presas no elevador, as personagens começam a revelar questões que nem sempre encontram espaço nas conversas do dia a dia. Em alguns momentos, a realidade dá lugar à fantasia: um fio de cabelo branco ganha voz e os hormônios chegam a organizar uma greve.
“Queremos tirar o tema da invisibilidade e tratá-lo com leveza, informação e humor, sem abrir mão da honestidade emocional”, afirma a diretora Paula Cohen.
Experiências pessoais também chegaram ao palco
A própria vivência das atrizes contribuiu para a criação da peça. Miá Mello conta que começou a prestar atenção ao assunto depois de perceber mudanças no próprio corpo. “Achei que fosse jet lag, mas eram os primeiros sintomas. Falar disso no teatro é oferecer ferramentas para atravessar esse período”, relata a atriz.
Na dramaturgia, o elevador também funciona como uma metáfora para as transformações experimentadas pelas personagens durante o climatério. “O elevador simboliza essa paralisia do climatério, que nos arrebata de repente. Mas, aos poucos, nos libertamos e, quando as portas se abrem, estamos mais conscientes”, explica Camila Raffanti.
Além das mudanças físicas, “Mulheres em Chamas” aborda questões como envelhecimento, sobrecarga familiar, inseguranças e o receio de perder o desejo. O humor aparece como uma maneira de criar identificação e abrir espaço para conversas que ainda podem ser difíceis para muitas mulheres.
“As mulheres vão rir pela identificação, e os homens talvez entendam, pela primeira vez, o que se passa dentro da gente, porque na peça mostramos a realidade e o outro mundo, o mundo hormonal, que é bem surrealista. É para todas as idades e principalmente para quem atravessa a menopausa. A gente precisa falar sobre isso”, afirma Juliana Araripe.
Serviço
Mulheres em Chamas
Quando: 30 de outubro a 1º de novembro de 2026
Horários: sexta-feira e sábado, às 20h; domingo, às 19h
Onde: Teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas
Endereço: Rua da Bahia, 2.244 – Belo Horizonte
Classificação: 14 anos
Ingressos: de R$ 59,90 a R$ 160
Venda: Sympla