Da redação
Piscina costuma ser sinônimo de lazer, principalmente nos dias mais quentes. Para quem está com crianças, porém, o momento exige atenção constante. Celular na mão, conversas entre adultos e até a sensação de que “alguém está olhando” podem criar situações de risco em poucos instantes.
Um dos principais cuidados está justamente na supervisão. Estar fisicamente próximo da piscina não significa, necessariamente, estar atento ao que acontece dentro dela.
“Supervisão não é presença, é atenção ativa. Para criança pequena, a regra que usamos na FPK – estúdio de natação de Belo Horizonte focado na prevenção de afogamentos – e que a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda é clara: no máximo um braço de distância, olhando para a criança, sem celular”, explica Francine Araújo, CEO da FPK.
Francine reforça que o afogamento pode ocorrer de maneira rápida e silenciosa, sem necessariamente envolver gritos ou pedidos de socorro. Por isso, a atenção do responsável precisa permanecer direcionada à criança enquanto ela estiver na água ou próxima dela.
Celular pode esperar
A presença cada vez maior do celular no cotidiano acrescenta mais um ponto de atenção. Uma mensagem, uma ligação, uma fotografia ou alguns minutos nas redes sociais podem desviar o olhar justamente quando a supervisão deveria ser contínua.
Outro erro é imaginar que a presença de vários adultos ao redor da piscina significa que as crianças estão automaticamente sendo observadas.
Em festas, encontros familiares e churrascos, Francine recomenda estabelecer claramente quem será o responsável pela supervisão em cada momento. Caso essa pessoa precise se afastar, a responsabilidade deve ser transferida verbalmente para outro adulto.
“Tem que ser falado: ‘Vou ao banheiro, você assume agora?’. E o outro tem que responder: ‘Assumi’. Não pode ser no olhar. Supervisão compartilhada sem comunicação é supervisão de ninguém”, afirma.
A estratégia evita uma situação comum: vários adultos acreditarem que outra pessoa está prestando atenção na criança quando, na prática, ninguém assumiu essa responsabilidade.
Boia não substitui supervisão
Boias de braço, modelos circulares e colchões infláveis também podem transmitir uma sensação de segurança maior do que realmente oferecem. De acordo com a CEO, esses itens não devem ser considerados equipamentos capazes de substituir a supervisão de um adulto.
“Boia não ensina a criança a se virar na água. Se escapa, ela afunda na vertical. A gente ensina habilidade aquática de sobrevivência e ensina o adulto a não terceirizar a segurança para um plástico”, diz Francine.
O mesmo raciocínio vale para crianças que já fizeram aulas de natação. Saber nadar é uma habilidade importante, mas não elimina a possibilidade de um acidente.
“Criança que sabe nadar também se afoga. Por cãibra, susto, exaustão ou brincadeira de prender a respiração. Natação é uma camada de proteção, não é colete à prova de tudo”, ressalta a especialista.
Minas registrou 155 mortes por afogamento até agosto
Embora os cuidados com piscinas sejam o foco da orientação, os números gerais de afogamentos ajudam a dimensionar o problema em Minas Gerais.
De acordo com dados do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, 155 vítimas fatais de afogamento foram atendidas pela corporação entre 1º de janeiro e 31 de agosto de 2026. Desse total, 141 ocorrências foram registradas no interior e 14 na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Os dados referem-se aos afogamentos de maneira geral e, portanto, não significam que as mortes tenham ocorrido especificamente em piscinas.
Segundo a série histórica, em 2025 foram contabilizadas 286 mortes e, em 2024, 246. Os primeiros meses do ano também concentraram números elevados em 2026: foram 22 mortes em janeiro, 24 em fevereiro e 21 em março.
Para Francine, mesmo que diferentes ambientes aquáticos apresentem características próprias, alguns princípios de prevenção permanecem os mesmos.
“Muita gente associa afogamento a rios, e os dados confirmam que o interior concentra a maioria dos casos. Mas a lógica da prevenção na piscina é a mesma: água exige barreira e supervisão. E na piscina a família relaxa justamente porque acha que está segura”, afirma.
Antes de entrar na piscina: confira alguns cuidados
Algumas medidas simples podem ajudar a tornar os momentos de lazer mais seguros:
- verifique se a piscina possui barreira que dificulte o acesso de crianças sem supervisão;
- retire brinquedos da borda, evitando que a criança tente alcançá-los;
- observe profundidade, ralos e equipamentos de segurança;
- defina um adulto responsável pela supervisão;
- mantenha crianças pequenas a uma distância que permita intervenção imediata;
- deixe o celular de lado enquanto estiver responsável pela criança;
- não considere boias um substituto para a supervisão;
- ao precisar se afastar, transfira explicitamente a responsabilidade para outro adulto e espere a confirmação.